terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Frank Zappa - Joe's Garage (1979) Act ll


Dando continuação agora ao ato II, temos uma reviravolta na vida do nosso protagonista. Como disse no final do Ato I, Joe procura o senhor L. Ron Hoover… na Primeira Igreja de Aparelhologia e pede-lhe conselhos. E Hoover entendendo a situação na qual Joe se encontra, diz a ele:
“Bom, você não tem nada a temer, meu filho
Você é um latente fetichista de aparelhos, pelo que me parece!”
[...]
“Um latente fetichista de aparelhos
É uma pessoa que se recusa a admitir a ele ou ela
Que a gratificação sexual
Pode apenas ser alcançada pelo uso de MÁQUINAS
Deu pra ter uma idéia?”
Ron então explica a Joe como obter uma dessas máquinas, mas que para isso ele deve aprender outra língua para facilitar sua utilização.
“E um vibrante grupo de aparelhologistas dança no salão usando um avental de laboratório feito de lâmina de alumínio, fecham os braços em um círculo em volta de JOE, certificando-se que ele pague o valor integral, e durante todo o momento cantando com L. RON enquanto ele passa as instruções finais...”
Assim termina a faixa 1, do Ato II, enquanto Joe fica admirado com as potencialidades da sua nova máquina de prazer.

A segunda canção, Joe resolve botar o caro conselho de L. RON em prática, e segue para um local chamado “O Armário” (The Closet). Onde outras pessoas também possuem estes aparelhos por lá.
Central Scrutinizer
“Então Joe aprendeu a falar alemão, ele vai para esse lugar e ele vê todas essas pequenas máquinas de cozinha dançando entre si, e ele vê esta máquina... que parece, ahn, é um cruzamento entre um limpador a vácuo industrial e um cofre de porquinho cromado com consolos grudados por todo seu corpo... é realmente excitante... e quando ele a vê, ele EXPLODE COM MÚSICA...”
..... Stick it out....
Importante ressaltar, que no início da canção, o protagonista canta em alemão para a máquina Sy Borg, na voz deWarren Cuccurullo & Ed Mann, (previamente considerado o filho da senhora que chamou a Polícia na faixa dois do Ato I), e observe também uma voz eletrônica pertencente ao aparelho comprado por Joe.

A faixa 3, o protagonista exalta Sy Borg e suas potencialidades, colocando-as em prática até chegar a um ponto extremo e acabar por destruí-lo. A partir daí entra na canção a voz da Central Scrutinizer que exige de Joe o pagamento dos estragos. Então, este diz que não pode pagar, devido ter dado todo seu dinheiro pra um cara religioso, tipo meio descolado.

Joe então foi enviado para a prisão especial, que segundo a Central Scrutinizer, é o local para onde são encaminhados os criminosos da indústria musical. Ela ainda descreve o local como sendo horrível, e que músicos e ex-executivos têm o hábito de cheirar detergente e abusar sexualmente uns dos outros.
“E enquanto a Central Scrutinizer ri sozinha por um momento, o PADRE RILEY, que se transformou em BUDDY JONES, vem à tona sob uma nova identidade: PADRE RILEY B. JONES, Prisão Chaplain, o qual, metido em um figurino, sobretudo forçado, é agora responsável pelo trabalho de cantar essa música...”
Padre Riley B. Jones durante a canção relata o dia-a-dia na prizão e as proezas dos condenados dentro da prisão.

A 5ª canção ainda prevalece os relatos de orgias que ocorrem na prisão. E a Central ri de Joe, pois diz que ele já esta cansado de tanto ter de se submeter a estes abusos que andam ocorrendo.
Percebam também, o ritmo ágil do solo na metade da música que caracteriza a brutalidade e a rapidez dos atos ocorridos sobre Joe.

Outside now, fantástica canção, uma das minhas preferidas. Ela possui um caráter reflexivo, e é nela que Joe vai pensar sobre tudo o que aconteceu, o que realmente queria quando montou sua banda de garagem.
“E tudo o que eu sempre quis foi
Tocar minha guitarra e torcer a corda
Fazendo: rin-tun-tin-tun-tinoninoni...
Eu já sei
Vou me tornar calado e retraído
Eu irei desvanecer ao reino crepuscular de meus próprios pensamentos secretos!
Ali irei me recostar até o amanhecer
Em um estado semi-catatônico
E sonhar com notas de guitarra
Que irritariam um certo executivo...”
Observe a liberdade das notas, os sons e os ritmos que vão se embaralhando harmoniosamente para a formação da canção, isso relembra os velhos tempos de Joe em sua garagem, onde apenas tocavam pelo prazer e a excitação que a música proporcionava.
“E, de fato, JOE imagina algumas daquelas notas de guitarra que todo executivo despreza... aquelas GRAVES... todo executivo sabe que apenas os discos com notas agudas e estridentes é que fazem sucesso”.

Esta aí o Ato II, completando mais uma etapa desse belíssimo trabalho do mestre Zappa. Espero que minhas palavras estejam chegando até vocês de forma clara e objetiva, pois a obra requer uma maior sensibilidade e um pouquinho mais de paciência dos leitores e ouvintes devido à sua complexidade.
Até o Ato III.
by Papola.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Frank Zappa - Joe's Garage (1979) Act l



Salve zappeiros de plantão!!! É com muita ousadia que hoje estou aqui para comentar sobre esta obra prima do grande mestre Frank Zappa, mentor da ópera rock Joe’s Garage, lançado em 1979.

Para quem não sabe, Zappa foi um dos mais geniais músicos de todos os tempos, influenciado pelas mais diversas vertentes, levando seu experimentalismo a níveis extremos.
Na ópera rock que apresento a vocês, todas as canções foram escritas, arranjadas e conduzidas por Zappa, sendo assim, é comum percebermos os diferentes estilos musicais, a coexistência harmoniosa de sons e ritmos que narram a vida de Joe. As letras evidenciam a rigidez e a acidez de um período marcante na historia.

A obra Joe’s Garage esta dividida em 3 atos (Ato I,II e III), cada uma delas narram fases da vida de Joe. Logo, irei postar os Atos separadamente, para facilitar o entendimento e a análise das canções que narram à obra Entao chega de delongas e vamos lá..... Joe’s Garage tem como temática principal a situação do que poderia acontecer se a música tornasse ilegal. Apresentando Joe e sua banda de garagem em busca de uma carreira musical, num período totalmente conturbado e extremamente conservador, segundo as canções, não posso afirmar, mas pode-se deduzir a partir delas, que a historia se passa na década de 50, onde a doutrina Macartista, anti-comunista ditava as regras, assim comprometia a liberdade individual e desrespeitava os direito civis. Contextualizando o período podemos perceber o valor e o domínio das Instituições sobre a vida das pessoas.

“Às vezes quando você não está olhando ele simplesmente aparece sorrateiramente na sua frente. Ele parece uma espécie tosca de disco voador com um aparato de megafone semelhante a uma tromba na frente com dois grandes olhos montados como duas crateras lunares com sobrancelhas mecânicas cromadas e franzidas sobre eles. Na lateral de seu corpo discóide existem vários conjuntos de capacetes ridículos e mangueiras de escapamento que aparentemente o propulsionam e pontuam seu diálogo com anéis de fumaça de odor pavoroso. No meio de sua cabeça podemos ver uma biruta de aeroporto e um anemômetro constantemente rodopiando. Seu fundo tem uma luz de pouso e três rodas raiadas. Apesar de tudo isso, é óbvio que a maneira pela qual ele se vira é ser transportado de um lugar par ao outro por um agente federal com uma camisa verde escura no telhado que está comendo um sanduíche (pedaços do qual caem regularmente e se alojam próximo ao buraco onde eles põem o óleo que faz a fumacinha tosca).
Ele flutua para junto de nossa vista e fala a nós assim:”
.... mediante a Central Scrutinizer, ela nos acompanhará no decorrer da história, e tem a principal função de narrar, estando sempre onisciente e onipresente sobre os acontecimentos, além de perturbar a consciência de Joe. Na faixa 1, ela dirá a você que é de total responsabilidade dela o cumprimento das leis, assim durante toda a primeira faixa ela tentará te alertar para algumas ações que você eventualmente possa praticar, como a música por exemplo, e que isso poderá ter conseqüências terríveis. Ela também diz que suas Instituições penais estão cheias de pessoas assim, e que estudos estão sendo feitos para puní-las com castigos cruéis para evitar a disseminação dessa “força terrível”, ou seja a música. Assim a história de Joe, segundo ela, é uma apresentação especial para mostrar o que pode acontecer com você, se escolher uma carreira na música ... Esta é a Central Scrutinizer na voz de Frank Zappa.

Na faixa 2, a voz da Central Scrutinizer te leva agora a uma garagem em Canoga Park,em uma área residencial, onde uma banda de adolescentes ensaiam. Joe , na voz de Ike Willis, canta para nós sobre as mazelas e atribulações da vida conjugal de uma banda de garagem, descreve-a como não sendo muito grande, mas havia espaço suficiente para uma bateria abarrotada na quina em cima do Dodge, um amplificador mequetrefe e uma guitarra de segunda mão. A partir daí entra na canção Larry, na voz de Frank Zappa, um cara que irá eventualmente desistir da banda e levar uma vida respeitável como o roadie de um grupo chamado Toad-O. Ele relembra momentos da banda e da velha música que ela sempre tocava, o momento em que passaram a ser notados pelas garotas e a partir daí foram trabalhar em um go-go bar. As pessoas gostaram de sua musica, ate que chegou um cara de uma empresa com promessas falsas e a banda acabou se desfazendo... a conversa de ambos fica no ar até que chega a Sra. Borg, na voz de Warren Cuccurullo & Ed Mann, era uma senhora que morava próxima da casa de Joe, gritava para este abaixar o volume. Como não foi correspondida, ela acaba chamando a Polícia e entra na canção o Oficial Butzis, na voz de Al Malkin, então foi assim o primeiro embate do protagonista com a lei. A Central Scrutinizer entra de novo na canção e diz que; um de seus conselheiros diz pra Joe frequentar mais ações sociais de base eclesiástica.

Já a 3ª canção, anuncia uma festa na ACM, um espaço religioso, e em cima disso ocorre uma crítica a certo atos obcenos que ocorrem frequentemente nessa área envolvendo as garotas e garotos católicos, e também do Padre Riley,na voz também de Zappa. Na canção é apresentada a nós a namorada de Joe, a Mary uma garota católica que sempre freqüentava o clube da Igreja, mas segundo a Central, ela não apareceu na reunião da ala social do clube. Mary estava com Larry, o amigo de Joe, cometendo atos nada cristãos, com o propósito de ser liberada para ver de graça o show de um grande conjunto de rock qualquer.

Na 4ª canção, eles e mais garotas já estão embarcando no ônibus para ir ao show...
“A essa altura, a tripulação da Estrada, como todas elas fazem de tempos em tempos, pegam emprestado parte do equipamento do grupo de rock e fazem uma jam session, indicando às donzelas ajoelhadas que elas são dotadas de uma bela dose de talento bruto, bem como de carne farta. Obviamente impressionada com a habilidade de LARRY em chupar sua gaita tão forte a ponto de tirar ruídos de freio dela, Mary se ajoelha novamente e levanta as mãos em gestos de súplica, ouvindo atentamente enquanto LARRY continua a cantar...”
... CREW SLUT....
Assim Joe perdeu Mary, seduzida por um bárbaro demoníaco com uma chave inglesa no bolso.

A seguir na 5º música, mostra o destino da santa Mary a ser deixada em Miami depois de ser usada pela tripulação de Toad-O. Sem dinheiro para retornar à casa, ela decide entrar no concurso de camiseta molhada (Fembot in a wet t-shirt), em que mulheres semi nuas, depois de molhadas deixam seus seios à mostra. Perceba as vozes e a excitação das pessoas a cada torrente de água que é derramada sobre as garotas. Tambem entra na canção o esquecido Padre Riley, que depois de ter sido expulso por não ter cumprido sua cota, agora se apresenta como Buddy Jones, mestre-de-cerimônias concurso. Então Mary consegue ganhar o prêmio e retorna a casa no ônibus.

On the bus, uma canção que deixa a cargo apenas dos instrumentos de darem prosseguimento à historia, colocando sua guitarra em evidência, alternando os ritmos e estilos. Ao final, a voz da Central Scrutinizer nos interrompe novamente para anunciar:
“… enquanto isso, Joe ouve a respeito das pervertidas proezas de Mary. Ele se mistura a um grupo de baderneiros e é seduzido por uma garota que trabalha no Jack-In-The-Box chamada Lucille, que lhe passa uma doença impronunciável...

Na 7ª faixa, Joe, como mesmo disse a incoveniente voz, descobre que está doente e se pergunta “porque dói quando eu mijo?”. Apesar disso, ele ainda a ama e se pergunta por que ela bagunça tanto com sua mente....
“Lucille hás messed my mind up”. Joe desorientado com a doença, vai ate a outra sala e toca a faixa-título de um velho álbum de Jeff Simmons, e canta junto. Infeliz por ter sido abandonado por Lucille...

"Por um acaso, descobriu-se que Deus não desejava que fôssemos todos iguais. Isso era uma péssima notícia para governos de todo o mundo, já que isso parecia contrário à doutrina de Serviços de Porções Controladas.
A humanidade deve se tornar mais uniforme se quisermos que o futuro funcione. Vários caminhos foram buscados para fortalecer nossos vínculos, mas infelizmente não se podia forçar a homogeneidade.
Foi por volta dessa época que alguém veio com a idéia da Total Criminalização. Baseado nos princípios de que, se fôssemos todos vigaristas, ao menos seríamos uniformes em certo grau aos olhos da lei.
Astutamente, nossos legisladores calcularam que a maior parte das pessoas era preguiçosa demais para cometer um crime de verdade. Portanto, novas leis foram fabricadas, tornando possível a qualquer pessoa violá-las a qualquer hora do dia ou da noite e, uma vez que todos nós tivéssemos infringido alguma lei, nós estaríamos todos junto em algum clube grande e feliz ao lado do Presidente, dos mais respeitáveis industriais e dos clérigos figurões de todas suas religiões favoritas.
A Total Criminalização foi a melhor idéia de seu tempo, e foi gozou de imensa popularidade, exceto junto àqueles que não queriam ser vigaristas ou marginais, portanto, obviamente, essas pessoas teriam que ser ludibriadas para aderir... essa é uma da razões pela qual a música foi eventualmente declarada ilegal."

Na 9ª faixa, a voz Scrutinizer complica a mente do protagonista culpando Lucille e a música pelas desilusões de Joe, mas segundo ela, seus problemas estavam apenas começando.Entao, ela pela primeira vez toma uma decisão inteligente, procura o senhor L. Ron Hoover… na Primeira Igreja de Aparelhologia!

Está ai o Ato I de Joe’s Garage, como disse anteriormente postarei os Atos separadamente. Espero que continuem seguindo a historia, e que apreciem a obra Joe’s Garage do gênio Frank Zappa...
by Papola.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Van Morrison - Astral Weeks (1968)



Vamos continuar no ano de 1968 para isso peço licença a todos aqui na Casa para convidar Mr. Van Morrison.

Nascido em 31 de Agosto 1945 em Belfast, Irlanda do Norte, George Ivan Morrison começou sua carreira musical ainda jovem, influenciado pelo pai colecionador de discos de Jazz e pela mãe cantora. Van Morrison aos dezenove anos liderava a banda Them. Esta havia sido formada em 1964 e alguns resultados já vinham aparecendo, até que Morrison começou a não mais sentir prazer no que estava fazendo, isso devido à grande utilização de músicos de estúdios foi então que decidiu abandonar a banda.

Em 1966 após sua saída, Morrison decidiu que era hora de respirar novos ares e partiu com destino aos EUA. Sua viajem não duraria muito tempo, pois ainda chateado, Morrison regressou a Belfast decido a encerrar sua carreira musical, mas um bendito produtor chamado Bert Berns o convenceu a regressar a cidade de Nova Iorque para a gravação de um novo projeto solo.

E é com imenso prazer que eu lhes apresento o resultado desse projeto, Astral Weeks, lançado em 1968. O álbum é considerado pela crítica o melhor trabalho já feito por Van Morrison, por outro lado não teve muita aceitação do público. Fazendo um folk de natureza espiritual, combinando elementos do jazz, R&B e música celta, Van Morrison nos traz esta obra de arte.

O disco é composto de oito faixas e está presente na obra 1001 Discos Para se Ouvir Antes de Morrer, um disco altamente recomendado para os navegantes que estão atrás de um bom folk! Viva o rock em todas suas vertentes!

by Boka.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Os Mutantes - Os Mutantes (1968)


Salve galera! Espero que todos tenham sobrevivido as festas de final de ano. Pra receber esse novíssimo ano convidamos até a Casa essa turma que marcou toda uma geração brasileira trazendo com eles um dos dez melhores discos de todos os tempos segundo a revista Rolling Stone.


Os Mutantes dispensam apresentações, mas, há aqueles que estão navegando de bobeira pela internet e pode ser que estes, não tenham a menor idéia de quem estamos falando. Desta forma uma rápida apresentação não seria nada desnecessária.


Formada no de 1966 em São Paulo por Arnaldo Baptista (baixo, teclado, vocais), Rita Lee (vocais), Sérgio Dias (guitarra, baixo, vocais) onde mais tarde passariam a integrar a banda também o baixista Lirinha e o baterista Dinho Leme.


A banda é considerada um dos principais grupos do rock brasileiro, sendo filhos legítimos do Tropicalismo apresentaram com irreverência um som inovador, mesclando o rock and roll com elementos musicais temáticos brasileiros. Com esta receita Os Mutantes trouxeram originalidade para o cenário nacional, graças ao pioneirismo de Arnaldo, Sérgio e Rita.


Apresentamos a vocês, o primeiro LP da banda, lançado em 1968 auto-intitulado Os Mutantes apresentando um rock anárquico e bastante experimental, introduzindo o psicodelismo, com muita microfonia e longas viagens instrumentais. Não podemos deixar de lado o contexto histórico totalmente conturbado em que álbum foi elaborado. No mundo, o movimento de contracultura cresica cada vez mais entre os jovens. Nos Eua, símbolo do poder e do conservadorismo, jovens falavam em “paz e amor”; na França, explodia o maio de 68 no qual estudantes protestavam e gritavam “é proibido proibir”; no Brasil foi baixado o pior dos atos institucionais o AI-5, o mais duro golpe na democracia.


Assim com este turbilhão de acontecimentos, Os Mutantes lançam 11 canções, entre elas “Panis et Circenses”, uma mistura de sons e instrumentos que acompanham uma forte crítica não apenas ao governo, mas também ao comodismo e ao conformismo do povo frente às barbáries de uma ditadura, outro sucesso é “A Minha Menina”, o samba de “Adeus, Maria Fulô”, a apaixonante “Baby”, uma quebra contínua de ritmos e a experimentação musical fica evidente em “Senhor F”, atenção à letra de ” Tempo no tempo” ela tem muito a nos dizer.


Este é um álbum que marcou a história da música nacional e caso você não conheça, fica ai uma dica e uma oportunidade pra conhecê-lo...


Clique e viaje nas raízes do rock nacional.


By Papola.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

The Darkness - Permission to Land (2003)

The first flush of youth was upon you when our eyes first met
And I knew that to you and into your life I had to get

Mais um final de ano, festas, rock and roll... é nesse espírito que a Casa abre suas portas para mais um tijolada que vem por aí. Podem esperar riffs de guitarra, vocais esgoelados e muita pegada da excelente cozinha que a banda possui!!

Eles fazem um som bem humorado e pra cima... músicas que poderiam tocar em qualquer festa na minha opinião! A mistura de hard e glam na medida exata. A banda era liderada pelos irmãos Justin e Dan Hawkins, nascidos em Suffolk na Inglaterra. Reza a lenda que o vocalista era Dan e a banda já tinha até parado suas atividades, até que um dia Justin participou de concurso cantando Bohemian Rhapsody quando então Dan teve o trabalho de reunir os demais integrantes Frankie Poullain (que já estava morando na Venezuela) e Ed Graham.

Permission To Land é o primeiro álbum da banda, que só lançou mais um. Atualmente o Darknees está inativo e três ex membros formam hoje o Stone Gods (em breve na Casa). Permisson To Land vai agradar os amantes do bom rock. Black Shuck inicia o disco com um riff pra Malcolm Young nenhum botar defeito... os vocais de Justin fazem a diferença e sua capacidade de fazer falsetes impressionam. Growing on Me é um glam muito agradável de ser ouvido! I Believe in a Thing Called Love que levou a banda aos sucesso também é muito boa, e o clipe dela uma sátira. Vale a pena!

Love Is Only a Feeling e Holding My Own são as baladas do disco... não chegam a ser hair metal do anos 80 e sim mais indie e pop na minha opinião. Stuck in a Rut mostra o quanto Justin pode gritar... hehehe Stuck in a Rut hard rockzim de primeira!

Espero que gostem dessa tijolada... mas antes do link vale a pena mencionar uma curiosidade que li na net sobre o vocalista... Justin Hawkins é super preocupado com seu público, tanto que não gosta que o público bata palmas ao fim das músicas, pois se preocupa com a maneira que os fãs iriam segurar suas bebidas, caso estivessem com alguma. Por isso ele prefere que os fãs façam um sinal de positivo com um dedão, assim eles não correm o risco de segurar mal sua bebida e se machucarem com copos quebrados durante o show. kkkkkk Copo de plástico pra eles!!

Para ouvir essa tijolada clique aqui.

Koyzzah

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Kiss - Ace Frehley (1978)

Fogo nas 06 cordas, Mr. Frehley chegou!

Paul Daniel Frehley, nascido em 1951, iniciou seu legado ao ganhar sua primeira guitarra aos 14 anos, suas influências vinham de bandas como o Zeppelin, Stones e Hendrix... Com 22 anos ingressou como guitarrista no Kiss, com quem gravou 14 álbuns, em carreira solo, são 04 álbuns, sendo o último, gravado em 2009 (em breve na Casa).

O ingresso no Kiss, se deu quando Ace viu em um jornal o anúncio para guitarrista. Tratava-se de uma banda desconhecida, Ace se candidatou e ao chegar ao local do teste, ligou sua criança e foi logo tocando... hehehe, esqueceu que tinha que esperar sua vez na fila. Ao encontrar Paul, Gene e Peter, a primeira impressão que nosso ser extraterreno passou, foi a de um desabrigado. Suas roupas eram maltrapilhas e o par de botas composto por um pé vermelho e outro laranja. Porra-louca por natureza, Ace tocou e encantou os caras, vindo a se tornar o quarto integrante do Kiss em 1973. Artista nato, foi ele quem criou o logotipo da Banda.

Em época de álbuns "Solo" no Kiss, o Sr. Ace Frehley presenteou a geração da época (e até as gerações de hoje) com esta obra de arte. Na ocasião, Gene e Paul se dispuseram a ajudar os companheiros de Banda, uma vez que cada álbum solo, dentro da proposta de criação, dava ao integrante liberdade de compor e gravar o que quisesse. Pra surpresa de Gene Simons, Ace, dispensou a ajuda e mandou ver sozinho, sendo o resultado do álbum, o melhor dos 04 solos gravados pelo Kiss (um de cada integrante).

Ace Frehley, sempre condenado por muitos (princ. pelo Kiss), pelo estilo "Bom vivam" de ser, talvez levou o rótulo por conveniência de alguns, porque o cara sempre foi muito bom de serviço. Pecava em seus excessos de álcool e drogas, nenhuma novidade no meio do Rock.

Gravou em ACE FREHLEY, Vocal principal, guitarra solo, Baixo, violão e vocal de apoio, além de compor 08 das 09 músicas do álbum! O álbum possui canções bem feitas, com o selo de qualidade da guitarra de nosso astro. Atenção para "Rip it out", "Speedin back to my baby", "Ozone", "What's on your mind", "New york Grove" e "Wiped-out".

ACE FREHLEY, teve um milhão de cópias vendidas e ganhou o disco de platina. Trata-se de um trabalho que nos mostra a competência de Ace, recheado com muito Rock n Roll !!!

Ouçam aqui!
A sombra do 79

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Eloy - Inside (1973)


Saudações Rockeiros! um 2010 fódão pra todos!

A primeira visita do ano fica por conta desse SR. grupo alemão, o ELOY. Formado por Frank Bornemann, guitarra/vocal, Manfred Wieczorke, órgão/guitarra/baixo/vocal, Wolfgang Stocker, baixo e Fritz Randow, bateria, o Eloy se iniciou em 1969, fazendo um Rock Progressivo fantástico. Notaram a quantidade de instrumentos que o Sr. Manfred manuseia? putzgrila! Filho da mãe, ou seja, em cada música a destruição fica por conta de um integrante.

Inside, álbum aqui apresentado, nos lembra Floyd, Doors, Purple, Yes, Jethro... putz, muito bom! Lembrem-se que no início 70's, os músicos viveram talvez o auge do experimentalismo. Tudo era misturado, alguns sons melhor que outros, mas sem dúvidas, que os músicos progressivos nos emocionam sempre. Sentimentos a flor da pele podem ser percebidos em todas as músicas e não nos esqueçamos da quebradeira de que tanto gostamos.

Elogios a parte, ouçam:

"Land of no Body" no 11.00 minuto - Canelada! "Inside" Início lindo, a partir do 2.00 minuto, Sombria.. "Future City", Jethro Tull até na tampa, atenção ao minuto 3.30 e por fim "Up a Down" a primeira impressão, me remeteu ao Sabbath e depois Purple, mas atenção ao minuto 6.00.

Falei das 04 músicas que o álbum possui, e valem muito a pena.
Escutem aqui, escutem com o coração aberto! Abraços!

A sombra do 79

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Rush - Moving Pictures (1981)



Salve galera! Hoje abrimos as portas da Casa para o trio progressivo canadense Rush! Fundado em agosto de 1968, o Rush teve diversas formações entre os anos de 1968 e 1974, alcançando então a formação definitiva, quando Neil Peart assumiu as baquetas fechando assim formação clássica com: Geddy Lee (baixo e voz ), Alex Lifeson (guitarra) e Neil Peart (bateria), que é considerado um dos melhores bateristas do mundo. Não apenas Neil Peart conseguiu reconhecimento, como também os demais membros da banda, os quais já receberam diversos prêmios mostrando assim o seu notório trabalho perante a mídia.

Agora, se tratando do grupo em geral o Rush possui vinte e quatro certificações de ouro e quatorze de platina, ficando assim em quarto lugar nas estatísticas de vendas de álbuns por uma banda de rock, atrás apenas de bandas como, The Beatles, The Rolling Stones e Aerosmith.

Bom depois de tanto, acho que ninguém que não conheça a banda irá duvidar de suas qualidades...mas caso alguém se atreva, hoje trazemos até a Casa um clássico da banda, um dos melhores álbuns de rock progressivo de todos os tempos...Moving Pictures!

Lançado em 1981, o disco é o oitavo da banda e já teve mais de quatro milhões de cópias vendidas.

Moving Pictures foi terceiro lugar no Billboard Álbum Chart e ganhou quatro vezes o disco de platina. Sucesso nas vendas tem explicação, o álbum que dispõe de sete faixas conta com "Tom Sawyer" um dos maiores hits da banda, "Red Barchetta" um puta clássico da banda, "YYZ" a melhor faixa instrumental da banda que inclusive foi indicada ao Grammy, "Limelight" que é simplesmente um show! O álbum ainda apresenta "The Camera Eye", onze minutos de puro virtuosismo.

Rush é considerado uma das principais bandas de rock progressivo e é impossível citar a banda sem falar de alguma dessas canções acima. Moving Pictures é com certeza outro belo achado da Casa. Divirtam-se com este presente do Noel! Viva o rock em todas suas vertentes!
by Boka & Papola

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Them Crooked Vultures - Them Crooked Vultures (2009)

"Oh I gotta know, is it dead, at the end of the road?
I can tell by that look in your eye were the same, my dead end friends and I"


A Casa do Boka hoje abrirá suas portas para uma sonzeira nova mas que só pelos membros da banda já valerá a pena ouvir!!

Tudo bem que não é muito usual a Casa utilizar-se de textos de outros sites ou revistas, mas neste caso a crítica realizada por Eduardo Carli de Moraes do meu ponto de vista é perfeita e representa exatamente a impressão que eu tive do álbum que lhes apresento.

"A tentação de chamá-los de “supergrupo” é quase irresistível – por mais que o rótulo soe um tanto idiótico. O Them Crooked Vultures possui um line-up tão espetacular e apetitoso que não há como evitar que nossas expectativas atravessem o teto e adjetivos hiperbólicos se amontoem na descrição. Afinal de contas, o “dream team” formado pelo batera do Nirvana, o baixista do Led Zeppelin e o guitarrista do Queens Of The Stone Age e do Kyuss é de deixar qualquer roqueiro salivando e exigindo um resultado à altura da reputação destes mitos vivos que são Grohl, Jones e Homme.

Os céticos têm sua parcela de razão se preveem que este álbum é um embuste ou uma decepção: estivemos testemunhando, nestes últimos anos, uma carrada de “superbandas” atingindo resultados duvidosos. Muitas vezes nos fazendo suspeitar que ganaciosas intrigas corporativas, muito mais do que projetos artísticos consistentes, eram os verdadeiros móveis por trás dessas uniões. Chris Cornell, por exemplo, juntou-se a Tom Morello e sua cozinha, mas o Audioslave não se tornou exatamente um monstro mítico que juntasse o poder de fogo do Soundgarden e do Rage Against the Machine – o grupo se desfez depois de 3 bons álbuns (num caso em que ser “bom” é quase uma vergonha: esperava-se deles nada menos que “de-excelente-pra-cima”!), e a “ressaca” pós fim-de-banda pareceu deixar o pobre Cornell desnorteado, sem-noção e na pior fase de sua carreira (a julgar por seu medonho álbum solo mais recente – que saudades de Euphoria Morning e de Superunkown!).

Já Scott Weiland uniu esforços ao Slash, mas o Velvet Revolver ficou longe de ser tão explosivo quanto o Guns N Roses ou o Stone Temple Pilots na história do rock moderno. Jack White, por sua vez, também meteu-se em “projetos” grandiosos – o Racounteurs e o Dead Weather – sem conseguir algo que se assemelhasse ao que conquistou com o White Stripes. O que impediria, pois, o Them Crooked Vultures de se tornar mais um tiro no escuro, e um tanto fora do alvo, destinado a se tornar um “item menor” na discografia de seus membros? O que tornaria este coletivo algo maior que a soma de suas partes?

Há casos de “superbandas” que são montadas pelas grandes gravadoras e produtores, interessados num grande estouro comercial que lhes encha o rabo de verdinhas – e nada parece mais promissor que juntar no mesmo time músicos de bandas famosas, “raptando” para a nova banda os fãs somados das bandas-de-origem dos membros… Mas há “superbandas” que se juntam pois os artistas se admiram, apreciam os trabalhos uns dos outros e sentem um baita tesão com a idéia de criarem algo juntos.

Este segundo caso é claramente o que se aplica aos Crooked Vultures. O importante a frisar é aqui não estão caras jovens, deslumbrados com a fama, querendo fazer sucesso a qualquer preço. Todos os três já possuem pançudas contas bancárias, milhares de fãs devotos e reconhecimento artístico de sobra, o que possibilita que a banda tenha uma característica importantíssima: eles já estão muito além das mesquinharias do pop.

Os que são céticos em relação a supergrupos provavelmente terão suas dúvidas quanto ao Crooked Vultures destroçadas não por argumentos, mas pela sonzeira matadora que este debut carrega em seus dez mil decibéis de potência. Este álbum não precisa de um advogado que o defenda; um “play” faz o serviço muito bem, nos provando logo de cara que química, entusiasmo, criatividade e pegada não faltam a estes três músicos no topo de seu jogo.

Desmorona logo às primeiras músicas qualquer suspeita de que isto pudesse se tratar de um “projeto paralelo” (“cada uma que inventam!”, ralhou Josh numa entrevista quando deparou-se com este rótulo indigesto!). Nenhuma banda com 3 músicos deste naipe, pode ser rotulada como “projeto paralelo” por qualquer ser humano que se pretenda inteligente. E certamente não está sendo vista assim por nenhum de seus integrantes.

Dave Grohl e Josh Homme são amigos de longa data – tanto que já tocaram juntos em Songs For The Dead, álbum de 2002 do QOTSA. Os dois já tinham combinado faz tempo que trampariam juntos “assim que os calendários batessem”. Talvez seja preciso ser músico para entender o tesão quase sexual que Josh e Dave devem sentir ao pensar: “bloody hell, ‘tamos tocando com o cara do Led Zeppelin!” Mas o imenso prazer de estarem juntos, que transparece claramente no álbum, certamente não apaga a “responsa” que uma união destas carrega. E eles não fugiram dela, nem deixaram de honrá-la: este é certamente um dos discos de estreia mais responsa da década. E já nos faz começar a torcer para que não seja o único.

A receita
Que Josh Homme é um mago-das-guitarras dum punch fenomenal já sabemos faz tempo. Desde sua puberdade, quando mal tinha pêlos no saco mas já era dono do ampli mais diabólico do deserto, Homme vêm reinventando o instrumento como poucos músicos vivos. Mas neste álbum ele se supera: passeia por riffs, licks, hooks e solos com tamanha verve e feeling que mereceria o apelido de Capitão Gancho – como bem sabe quem foi “enganchado” por “New Fang”, o excelente primeiro single.

“Elephant” é mais mastodôntica que qualquer coisa que Jack White já tenha feito – e pesa, sozinha, toneladas mais do que o clássico álbum dos White Stripes. Quem curte o tal do “heavy metal inteligente” (andam dizendo que isso existe…), certamente irá se esbaldar com esta sonzeira que remete ao stoner-rock das antigas ao mesmo tempo que pisca os olhos para o Mastodon ou para o Converge, celebradas bandas do novo metal. Já “Scumbag Blues” nos leva para um chapado rolê pelo lado mais noisy dos anos 60, evocando o Cream e o Blue Cheer, com a tecladeira de Jones e a cantoria à la Jack Bruce de Homme tornando-a uma pepita digna de figurar no Disraeli Gears.

Inúmeras provas se encontram neste álbum matador de que Josh Homme não está interessado em desfilar seu virtuosismo à maneira de Steve Vai e Malmsteen. Homme é um músico econômico, conciso e preciso. O que não impede seu som de ser luxurioso e sofisticado, ao mesmo tempo robótico e dançante, pesado mas cheio de groove, e que vai transando com perfeita química com as linhas de Jones e a batera de Grohl. Por todo canto do álbum estão “ganchos” irresistíveis que certamente seriam aprovados por Jimmy Page, Angus Young ou Keith Richards – e que nós, reles mortais, também ouvimos com a plena empolgação de nossos pescoços head-bangantes e nossas air-guitars esporradas.

Ouçam o solo matador de “Warsaw”, que mais se assemelha a uma gaita harmônica que atravessa um pedal wah-wah, e tentem não pirar com a molecagem esperta de Homme. Eis um guitarrista que brilha pois aposta na simplicidade memorável muito mais do que na complexidade dispersiva. Centra foco em sequências breves de notas, que entram num loop na consciência do ouvinte, e que voltarão para assombrar suas insônias ou serem “assoviadas” no ponto de ônibus. O efeito é chapante, sublime, mortífero.

Até suspeito que, daqui a algumas décadas, quando os historiadores da guitarra olharem para trás tentando encontrar nesta década que se acaba os grandes inovadores e subversores das 6 cordas, talvez encontrem os melhores exemplos em Homme e Frusciante.

Como vocalista, Josh também mostra-se cada dia melhor e mais confiante: sua voz soa expressiva, agradável e cool. Quando o esporro se acalma, pode-se ouvir mais claramente toda a beleza do seu canto – como acontece em vários momentos da power-balada “Bandoliers”, onde ouvem-se claramente as lições que aprendeu com seu camarada Mark Lanegan. Decerto que falta a Josh o vozeirão rouco e sujo-de-uísque que o vocalista do Screaming Trees emprestou a algumas sublimes músicas do Queens, mas a imitação/homenagem que ele faz a Lanegan é digníssima. Até seu “ataque” vocal mostra-se capaz de ferocidades quase juvenis: como quando canta “Reptiles” ou, no maior gás, declama o refrão in-bloomesco de “Mind Eraser, No Chaser”.

As letras, também, estão excelentes – ainda que grande parte dos ouvintes “passe batido” por elas, sem entendê-las. Elas são um testemunho de que há pouquíssimos artistas modernos que levam o rock tão a sério. A “luxúria”, que o mundo careta sempre insistiu em considerar pecaminosa, que o cristianismo transformou em crime e os padres nos proibiram, é celebrada e transformada em musa. Este estilo-de-vida que entrega-se às “misérias da carne” e aos sujíssimos “prazeres dos sentidos”, como dizem os chatos-de-galocha de todos-os-tempos, é retirada do opróbrio e alçada a um trono. Para o Crooked Vultures, viver de verdade é abrir as portas da percepção, vastamente, ao tumultuoso e luxuriante universo das sensações. Não para se perder futilmente nelas – já que por trás de tudo há um profundo “sentimento de missão” que Josh canta faz tempo – como naquele seu verso clássico do Queens: “I want something good to die for to make it beautiful to live”.

Se há uma certa influência da lírica sombria característica do grunge, tanto no Queens quanto no Crooked Vultures, isto é sempre transcendido e superado: eles jamais estacionam nas sombras. Vejam, por exemplo, que há escondida nos meios de “Elephant” um momento de trevas quase soundgardenianas, que remetem a “Black Hole Sun” (ou mesmo a “Crown of Love”, do Arcade Fire). Mas é só para que no momento seguinte uma imensa onda afogue o desânimo com carradas de entusiasmo. Josh canta: “No, I can never stay melancholy for long / I’ve got the memory of your face” [ Não posso permanecer melancólico por muito tempo / Possuo a memória do teu rosto]. Mas que não fiquem imaginando que este disco é cheio de lirismo romântico – pelo contrário: é repleto de poesia críptica, contra-cultural, instigante e original. Ao fim desta música, Homme celebra sua própria mutabilidade eterna e conclui com o genial verso/corruptela: “I can never stay anything for long”.

Nem tudo é perfeito neste álbum genial, porém. Muitos ouvintes acharão “Interlude With Ludes” de um experimentalismo meio mala e torcerão para que o esporro rocker retorne logo. Já “Caligulove”, com seu jeito canhastrão, é uma das poucas músicas onde a lírica joshiana, sempre tão criativa e afiada, soa um pouco afeita à clichês: “I don’t need a reason, baby / Put your arms around me”, canta Josh, parecendo um Al Green sedento por um let’s-stay-together (ao menos por esta noite!).

É uma safadeza que remete a uma das músicas recentes mais charmosas do Queens: “I Wanna Make It Witchu” – na qual o “it” do “make it” não refere-se, certamente, a jogar xadrez ou dominó. Talvez sejam estas as piores música do disco, mas isto não as desqualifica – do mesmo modo que ser a pior música de Nevermind ou Back In Black é coisa digníssima, ser a pior música do Crooked Vultures é ainda ser uma bela coisa. Sem falar que músicas que se chamam “Interlude With Ludes” e “Caligulove” não tem a mínima necessidade de serem boas. Um título tão sensacional dispensa a música de quaisquer outros deveres!

“Can’t afford to lose my cool”, canta Josh em “Warsaw”. Mas o Crooked Vultures não conseguiria perder o cool nem se tentasse. Como ensinavam os Sonics, banda garageira dos anos 60, que Homme certamente deve ter curtido muito, estes caras consegue numa boa conquistar a virtude do roqueiro veterano: ir maintaining his cool. O que ouve-se em todos estes 66 minutos do debut dos Crooked Vultures é uma banda que não têm ansiedades neuróticas nem exibicionismos narcísicos – e que por isso soa desencanada e poderosa, original e aventureira, cheia de entusiasmo e frescor, na curtição suprema de um rock and roll fodástico. O resultado é um discaço estupendo, que emerge dos lodaçais do pop como um monstro do pântano, contendo uma intensidade rocker perfeita para encerrar a década com um esporro impecável."

Créditos: Por Eduardo Carli de Moraes, crítico da Revista O Grito!, de São Paulo.

Koyzzah

Para ouvir essa tijolada clique aqui!!

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Stillwater - I Reserve The Right (1979)



Hoje a Casa abre as portas para o Stillwater!! Aqueles que assistiram o filme Almost Famous do diretor Cameron Crowe vão gostar??? Não sei... pois esse aqui é outro Stillwater, trata-se do original!! Banda americana do estado da Gerogia, setentista que durou de 1773 à 1982. Como não poderia ser diferente, fazem um southern rock com folk de qualidade.

I Reserve The Right! é o segundo álbum da trupe. Este disco está repleto de belos solos de guitarrra e é marcado pela ampla utilização de teclados e pianos e vocais harmoniosos!!

Destaco Kalifornia Kool onde há uma pegada no melhor estilo Stevie Wonder, Alone On A Saturday Night e I Reserve The Right como sendo bons exemplares de um verdadeiro southern!!

Enfim, Stillwater para os amantes do gênero é uma boa pedida!!

Para ouvir essa tijolada clique aqui!!



quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Ben Harper - Fight for Your Mind (1995)


"my choice is what I choose to do and if I'm causing no harm it shouldn't bother you your choice is who you choose to be and if your causin' no harm then you're alright with me"

Benjanmin Chase "Ben" Harper, americano da Califórnia, iniciou seu contato com a música. Guitarrista nato e detentor de algumas bandas quando ainda jovem, passa no seu som uma mistura rara, mas que quando bem feita fica agradabilíssima: Blues, Folk, Soul, R&B e reggae.
Fight For Your Mind é o terceiro do Cantor. Aqui não se encontrará grandes solos de guitarra, viradas impressionantes de bateria, agudos estonteantes... a preciosidade reside na levada solta e letras carismáticas.

Oporession inicia a obra declarando direitos humanitários ao melhor estilo Bob Marley... Gound On Down é pra mim a melhor do disco, riff marcante feito ao melhor estilo bottleneck guittar. Another Lonely Day fala um pouco de que todos já passaram ou já se sentiram assim um dia, vale a pena conferir esta letra. Please Me Like You Want To segue a linha temática do Fight For Your Mind, fala sobre coisas da alma... atenção para a levada desse som... Gold to Me parece até uma brincadeira, divertida ao seu modo de ser!

Burn One Down -> enigmática. Estes dias vi em uma resenha que Ben é extremamente religioso e praticante. Em Burn One Down há um manifesto, que deve estar preso na garganta de muita gente... hehehehe Acho que ele proclama Hailê Selassiê I como a encarnação de Deus! Pesada, depressiva, em Excuse Me Mister vê se a indignação do ser com a estilo de vida padrão.

People Lead e Figth For Your Mind formam um casamento perfeito... é onde Ben demonstra sua força apesar de tanta coisa. Give A Man A Home é lenta... sem pressa... ressaqueada... boa para os piores momentos! rs By My Side é uma boa baladinha. Power Of The Gospel, com 3 minutos de introdução, é fúnebre, melodiosa, bem feita e trabalhada, linda! God Fearing Man deve ser ouvida inteira, pois mais uma vez os slides aparecem com tensão e força! One Road to Freedom, que finaliza este belo trabalho, oferece a calmaria e na pior das hipóteses ao menos esperança!

Desculpas pela ausência da Casa, é que tive que ir ali comprar um maço! Esse som é o que tenho ouvido nos últimos dias... acho que vocês vão gostar tb!

Clique aqui para ouvir.

Koyzzah

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Ray Charles - Original Motion Picture Soundtrack (2005)


Salve, salve amantes da boa música. Hoje convidamos até a Casa um dos maiores gênios da música negra norte-americana, Ray Charles.

Ray Charles Robinson nasceu no dia 23 de Setembro de 1930 em Albany, Georgy filho de família humilde, Ray teve uma infeliz trajetória de vida na infância e na adolescência.

Aos sete anos Ray perdeu completamente a visão e apesar de fontes sugerirem que sua cegueira fora causada por glaucoma Ray nunca soube realmente o motivo de sua cegueira.

Incentivado por sua mãe Aretha Williams, Ray frequentou a escola para Cegos e Surdos de Santo Agostinho, em St. Augustine, Flórida onde aprendeu a tocar vários instrumentos musicais e a escrever suas próprias canções. Aos dezesseis anos quando ainda freqüentava a escola Ray fica órfão.

Em 1947 após passar por uma banda de jazz, Ray pega seus 600 dólares e se muda para Seattle. Em seguida mudou seu nome para Ray Charles (para evitar confusão com o boxeador Sugar Ray Robinson).

Em Seattle Ray gravou sua primeira canção e foi ai que ele conheceu as drogas viciando-se em heroína.

O sucesso chegou em 1952, quando a Atlantic Records fechou um contrato com ele para gravar "I Got A Woman." A canção não virou um sucesso imediato, mas Charles havia com certeza descoberto o caminho do sucesso.

Em sua bagagem musical Ray conquistou o reconhecimento de público e crítica, ganhando ao todo 12 prêmios do Grammy, incluindo o de melhor gravação de R&B por três anos consecutivos com “Hit the Road Jack”, “I Can't Stop Loving You” e “Busted”. Foi um dos grandes inovadores da música norte-americana, misturando o gospel da igreja negra com jazz e o blues para criar ou famoso gênero musical: Soul Music.

Apesar de problemas com drogas que lhe prejudicaram a carreira, as interpretações de Ray Charles sempre foram apreciadas, não importando a música que cantasse. Sua genialidade reconhecida acompanhou-o até o fim da vida e era em suas apresentações que o seu verdadeiro talento aparecia.

Celebrando este lendário pioneiro a Casa oferece a nossos visitantes uma memorável compilação deste gênio, o álbum se trata da trilha sonora da cinebiografia lançada em 2004. Ray como chama o filme foi dirigido por Taylor Hackford e estrelado por Jamie Foxx. O filme recebeu dois prêmios Oscar: melhor ator para Jamie Foxx e melhor som.

Composto por dezessete faixas o álbum inclui clássicos de Ray, como: “I’ve Got A Woman”, “Hallelujah I Love Her So”, “(Night Time Is) The Right Time”, “Georgia On My Mind”, “Hit The Road Jack”, “Let The Good Times Roll”, “What´d I Say” e “You Don´t Know Me”.

Caso alguns de nossos visitantes queiram saber mais sobre nosso ilustre visitante, a Casa recomenda o filme e para os que estão apenas à caça de uma boa música não tenham duvidas de que estão diante de um grande achado. Viva o rock em todas suas vertentes!
by Boka.

sábado, 14 de novembro de 2009

The Kinks - The Kinks and the Village Green Preservation Society (1968)

Salve galera Rock's! Temos hoje no cardápio da Casa THE KINKS, como prato principal.

Formado em 1963, em Londres, o Kinks contava com a formação original dos irmãos Ray Davies (guitarra e vocal principal) e Dave Davies (guitarra principal, rítmica e vocais), Pete Quaife (baixo e vocais) e Mick Avory (bateria). O grupo em toda sua carreira, fez mais de 30 trabalhos, sendo 21 deles em estúdio, também ficou conhecido pelas agressões entre os irmãos Ray e Dave.

No início da carreira, particularmente os 03 primeiros discos foram gravados em um espaço de tempo muito curto, não existiam ensaios, ou seja, entravam no estudio, gravavam o som e estava pronto, simples assim. Após Face to face, álbum mais trabalhado, a qualidade musical do grupo melhorou e muito. O sexto disco, que trazemos aqui, The Kinks And The Village Green Preservation Society, considerado um dos melhores trabalhos do grupo, mescla o Rock da época com pitadas de progressivo, clássico e podemos dizer que um início Hard. Tudo aconteceu em uma época onde despontavam bandas como The Who, Stones, Beatles, Beach Boys dentre outras, desssa forma é comum notar a similaridade entre as músicas destas bandas, a influência partia basicamente dos mesmos lugares.

O que me chama a atenção nesse disco, é a harmonia do som, tudo muito bem feito, arranjos de vários instrumentos se encaixam, unidos a combinação perfeita de vocal e Backing vocals. Atenção para as faixas The Village Green Preservation Society, Picture Book, Do you remeber Walter?, Last of the Steam-Powered Trains, Animal Farm, Starstruck, Phenomenal Cat.

Aproveitem, boa música, boa produção, um ótimo disco com 41 anos de idade.

A sombra do 79

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Luther Allison - Luther's Blue (1974)



Senhoras e senhores depois de um bom tempo sem dar se quer explicações sobre o descaso com a Casa eu retorno pedindo perdão e abrindo novamente de nossa humilde residência. E para mostrar que estou realmente triste, hoje reabrimos as portas da Casa com um grande musico, Luther Allison.


Nascido em 1939, em Wildener, Arkansas, Luther Allison era o 14º de 15 filhos. Seus pais se mudaram para Chicago quando ele tinha 13 anos e foi lá que começou a desenvolver sua formação musical tornando-se um bluesman.


Seu primeiro disco, Love Me Papa foi lançado em 1969 e apesar de não ter tido muita divulgação, conseguiu chamar a atenção da Motown Records, com quem assinou contrato em 1971.Com ela Allison gravou mais dois ótimos álbuns Bad New Is Coming e este que vos apresento hoje, Luther’s Blues foi lançado em 1974 e mistura elementos de blues, soul, funk e jazz. Não se engane achando que estás diante de uma salada musical, Luther’s Blues é um baita disco e deve ser ouvido do inicio ao fim.


Confiram as faixas “Luther's Blues”, “Someday Pretty Baby”, “Easy Baby”, “Part Time Love”, “Let's Have a Little Talk” e saiba do que estou falando. Com certeza outro grande achado no baú da Casa. Viva o rock em todas suas vertentes!

by Boka.

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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

O Terço - Tributo a Raul Seixas (1999)


Salve, salve galera Rock and Roll! Hoje vamos fazer uma pequena homenagem ao rock nacional aqui na Casa. Para celebrarmos os vinte anos da morte de Raul Seixas completados no dia 21/08 convidamos até a nossa humilde residência O Terço. Estes que são responsáveis por esse tributo que em minha opinião é o único tributo ao Raul Seixas que realmente vale à pena.


Para quem não conhece, O Terço é uma banda que foi formada no ano de 1968 na cidade de Rio de Janeiro por Jorge Amiden (guitarra), Sérgio Hinds (baixo) e Vinícius Cantuária (bateria). A banda começou tocando rock clássico, mas logo da carreira tendeu-se ao progressivo. Segundo o guitarrista Sérgio, o nome foi escolhido porque é uma medida fracionária que corresponde a três ou a "terça parte de alguma coisa", como num rosário. O nome caiu como uma luva devido à primeira formação da banda, que era um trio, mas, antes disso o nome escolhido pela banda tinha sido "Santíssima Trindade", mas para evitar atritos com a Igreja Católica, foi adotado "O Terço". A banda tem uma longa história na música e não é difícil encontrar material sobre ela. O blog Lagrima Psicodélica fez um relato onde contam a biografia inteira da banda. Vale à pena conferir.


No ano 1999 O Terço lançou “Tributo a Raul Seixas” em homenagem aos dez anos da perda do Maluco Beleza. Tributo ao Raul Seixas reúne as musicas mais clássicas de Raul. E o mais interessante do disco é a forma com que os músicos trabalharam cada canção, dando a todas particularidades que as diferenciam de suas versões originais. Todas as faixas foram muito bem executadas e é claro com muito estilo. Uma forma diferente de se ouvir o som do Raul. No mais uma grande homenagem a um dos maiores nomes da música nacional... Raul com certeza teria fica orgulhoso desse trabalho do Terço. Viva o rock em todas suas vertentes...

by Boka.
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